Enquanto a economia portuguesa se tem especializado no turismo, os portugueses continuam entre os europeus que menos gastam nas férias e os preços dificultam o acesso ao litoral do país.
Conheço bem a situação no Algarve que ainda leva a outro problema adicional. As casas para trabalhadores fundamentais e até qualificados para a região. Temos uma falta crónica nos últimos anos de médicos, enfermeiros e professores, que até com incentivos públicos se recusam a ir para ao Algarve. A maioria cita a dificuldade em encontrar habitação a preços acessíveis.
Não diria que Portugal bateu recordes em 2025, visto que cresceu 3.6% em dormidas e 7.8% em receita no primeiro semestre de 2025. Está em linha com o crescimento anterior.
Em gesto de sugestão, Portugal não tem capacidade de produtividade, este é um problema, diria quase, inato e que já se verificar há várias décadas e cada vez mais dependentes do setor turismo.
Não querendo entrar efusivamente em temas económicos, mas o alinhamento também é político, visto que vários deputados, partidos e associações (a que foi mencionada no artigo) reclamam que Portugal tem falta de mão de obra no setor turístico e que a imigração é necessária.
O cenário existe, mas não vamos fazer nada para resolver porque não existe motivação para tal.
Desta maneira, será importante analisarmos e consciencializamo-nos como é que será o futuro de Portugal, quando deixar de existir este crescimento anual e uma fase de consolidação ou até mesmo estagnação.
Afinal, da mesma maneira que Portugal verificou o boom turístico a partir de 2015, o mesmo acontecerá, pois, as tendências mudam e Portugal não é um gigante turístico europeu. Estes mesmos (Espanha, França, Itália) que já acusam vários problemas sociais, culturais e, como bem abordaste, um modelo insustentável.
Obrigado pela referência. Concordo que Espanha é um caso que vale a pena explorar. Desconfio que o crescimento atual deve menos à estratégia de desvalorização interna no pós-crise financeira e mais à combinação do boom do turismo com os frutos do investimento público em infraestruturas (ex: ferrovia, sobretudo alta-velocidade) e em energias renováveis.
Concordo. Até mesmo isso ficou aquém, pois existe uma centralização e saturação da imagem do destino. Com a falta de infraestruturas, por exemplo, para o interior torna-se difícil apoiar o investimento e diversificar a oferta turística.
Mas seria importante não esquecer, infelizmente, que a Europa sofre deste problema. A projeção crescimento económico do UE é muito baixa. Obviamente existem outros fatores associados, mas a dependência no turismo de um grande número de países é assídua e vincada no PIB.
Como disse, Portugal terá de mudar para não seguir este rumo sem desvaneio. Ambos sabemos qual é a probabilidade de isso acontecer, mas estamos aqui para tentar.
Conheço bem a situação no Algarve que ainda leva a outro problema adicional. As casas para trabalhadores fundamentais e até qualificados para a região. Temos uma falta crónica nos últimos anos de médicos, enfermeiros e professores, que até com incentivos públicos se recusam a ir para ao Algarve. A maioria cita a dificuldade em encontrar habitação a preços acessíveis.
Faz todo o sentido. Em menor dimensão, também parece estar a acontecer na Área Metropolitana de Lisboa, com impactos nos serviços públicos
É isto mesmo!
Não diria que Portugal bateu recordes em 2025, visto que cresceu 3.6% em dormidas e 7.8% em receita no primeiro semestre de 2025. Está em linha com o crescimento anterior.
Em gesto de sugestão, Portugal não tem capacidade de produtividade, este é um problema, diria quase, inato e que já se verificar há várias décadas e cada vez mais dependentes do setor turismo.
Não querendo entrar efusivamente em temas económicos, mas o alinhamento também é político, visto que vários deputados, partidos e associações (a que foi mencionada no artigo) reclamam que Portugal tem falta de mão de obra no setor turístico e que a imigração é necessária.
O cenário existe, mas não vamos fazer nada para resolver porque não existe motivação para tal.
Desta maneira, será importante analisarmos e consciencializamo-nos como é que será o futuro de Portugal, quando deixar de existir este crescimento anual e uma fase de consolidação ou até mesmo estagnação.
Afinal, da mesma maneira que Portugal verificou o boom turístico a partir de 2015, o mesmo acontecerá, pois, as tendências mudam e Portugal não é um gigante turístico europeu. Estes mesmos (Espanha, França, Itália) que já acusam vários problemas sociais, culturais e, como bem abordaste, um modelo insustentável.
Edit: Espanha é um bom estudo de caso - https://nixons.substack.com/p/europes-moment.
Obrigado pela referência. Concordo que Espanha é um caso que vale a pena explorar. Desconfio que o crescimento atual deve menos à estratégia de desvalorização interna no pós-crise financeira e mais à combinação do boom do turismo com os frutos do investimento público em infraestruturas (ex: ferrovia, sobretudo alta-velocidade) e em energias renováveis.
Concordo. Até mesmo isso ficou aquém, pois existe uma centralização e saturação da imagem do destino. Com a falta de infraestruturas, por exemplo, para o interior torna-se difícil apoiar o investimento e diversificar a oferta turística.
Mas seria importante não esquecer, infelizmente, que a Europa sofre deste problema. A projeção crescimento económico do UE é muito baixa. Obviamente existem outros fatores associados, mas a dependência no turismo de um grande número de países é assídua e vincada no PIB.
Como disse, Portugal terá de mudar para não seguir este rumo sem desvaneio. Ambos sabemos qual é a probabilidade de isso acontecer, mas estamos aqui para tentar.